31.8.08

Peito de peru, valsa versus samba e o melhor da tribalia canibal


*
Tudo isso só pra chamar a atenção.
*
Tenho escrito aqui, recentemente, aquilo que me cerca a respeito de amizades, desencontros da vida e até mesmo pequenas situações cotidianas que vivo, presencio e dou muita risada.
Então, pra não perder o costume, vamos falar disso mais uma vez.
*
Estive recentemente em contato com as mais absurdas adversidades humanas. Encontrei um pouco da realidade. Quem diria ser eu, bravo guerreiro dos invernos sóbreis dos quais sobrevivi para contar histórias e, por que não, recontá-las, quem diria ser eu o porta-voz dessa humilhante situação chamada atrofiamento mental. Da qual, infelizmente, também faço parte.
*
Quando se fala em declínio, ida para baixo ou de pé e ré, acho o assunto chato. "Não vamos falar de involução quando a evolução está nos chamando". Talvez seja por isso que eu, até hoje, não me aborreça por exemplo se me disserem que o verde está virando quadrado azulado e com um tom metálico. Faço-me ser compreendido em pequenos olhares, gestículos e até mesmo palavras de pouca sabedoria, todavia que demonstram o quão diminuída está minha cegueira em relação aos desprazeres oferecidos por aí.
*
E cegueira tem cura? Não sei se tem, mas já me aborreço ao pensar que possa ter. Que possa ter para o outro lado. A tomada de consciência tão comentada por Huxley. Não se toma consciência comunitária do dia para a noite com o propósito de evolução. E tudo isso continua como uma grande élice giratória produzindo energia o suficiente para alimentar a burrice de, no mínimo, quatro gerações posteriores. Burrice...
*
Atrofiamento é legal, cool, claro! Se me derem uma arma, já nem sei o que faço. Mas por favor, não me venha falar das roupas da vizinha! Não sou nem eu quem lava as suas.

1 de setembro, 2008

*
Detesto calor, contato humano agressivo. O calor me dá náuseas e fortes dores de cabeça. Já o frio só me traz boas recordações de momentos passados, vividos intensamente. O calor é a aversividade ao melhor que há nas estações. É o símbolo que representa desaproximação e fortes crises de agressividade da raça humana. Sério, detesto o calor.
*
Você nunca sentiu um grande enjôo ao tentar dormir à noite e não conseguir respirar direito por causa do ar seco demais? Ou então quando sentou à noite na varanda, não agradeceu por aqueles minutinhos de ar mais fresco que o habitual do verão?
*
Sempre que paro para pensar neste assunto, me dá ânsia. Vontade de alugar um climatizador plus com capacidade total de fazer gelar cidades inteiras, vidas em preto e branco, corações felizes demais. Felicidade alheia me deixa constrangido. E o pior é que as pessoas costumam se alegrar demais no verão. Concordo com o comprovado de que falta de sol é causa certa para doenças mentais como dpressão, entretanto, sol demais na cabeça também causa câncer de pele e até mesmo retardamento mental.
*
Ou você discorda, por exemplo, que não são afetadas mentalmente as pessoas que passam bronzeador e vão à praia, em pleno horário de UV em dose extra para garantir um sabor sensual em sua pele, como forma de nela registrarem estes momentos ao invés, por exemplo, de se atualizarem sobre como a camada de ozônio está sendo destruída rapidamente?
*
Interessante morar no Brasil. A conscientização aqui é afetada. Demora-se 5, 10, 60 anos para uma informação ser recebida, interpretada e colocada em prática pela população. Dengue, corrupção, aquecimento global. Veste-se a camisa verde e amarela, vamos lutar pela rebeldia selvagem. Em pró dela. Nada de algazarra.
*
Setembro é o mês da primavera. É agora que o raio do calor começa a voltar com tudo. Se é que não já voltou.