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Acordando às 3 da tarde, Maria correu para o banheiro sem que a mãe percebesse:
- Maria! Cadê você menina? A gente chega cansada do trabalho e ainda tem que ficar procurando essa criançada! Maria! Maria!
Enquanto a mãe berrava, Maria estava trancada no banheiro pensando na melhor desculpa que poderia arranjar. A mãe, na cozinha, ligava o liquidificador no máximo. Devia ser um daqueles shakes malucos, pensava Maria.
- Mãe! To aqui! É que eu não me sinto muito bem, estou no banheiro há horas!
E nada da mãe responder! O barulho do aparelho era muito alto.
Maria resolveu sair do banheiro, e a mãe foi logo aparecendo toda brava:
- Mas o que é isso menina? E esse rosto todo inchado?
- Ai mãe - camuflava-se, corando-se -, eu to gripada! Nem consegui sair da cama hoje!
- Como assim? Deixa eu ver isso direito menina - a mãe puxando-a pelo braço com a intenção de por a mão sobre a testa.
Febre, e parecia daquelas bem fortes. Maria achou estranho. Como assim febre, se nem sentindo alguma tontura ou dor ela estava?
- Mãe, e agora? - incentivava a mentira.
- Minha filha, vá até seu quarto que eu vou lhe fazer um chá.
Maria esperava em sua cama pelo chá. A mãe veio:
- Tome. A que horas devo servir uma porçãozinha de bolachas de água e sal para você, minha filha?
Bolacha de água e... sal? Que coisa de gente doente. Maria não queria nada disso! Ficar doente tinha perdido a graça:
- Mãezinha, não quero comer...
- Olha a injeção contra a gripe - mentia a mãe, intencionalmente.
- Não mãe, chega! EU confesso, acordei agora!
A mãe brigou com Maria, que ficou deitada na cama fingindo ler um livro. No outro dia, Maria acordou gripada.
