6.10.08

[ Crônicas Absurdas ] Maria Gripada



I n éd i t o


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Acordando às 3 da tarde, Maria correu para o banheiro sem que a mãe percebesse:
- Maria! Cadê você menina? A gente chega cansada do trabalho e ainda tem que ficar procurando essa criançada! Maria! Maria!
Enquanto a mãe berrava, Maria estava trancada no banheiro pensando na melhor desculpa que poderia arranjar. A mãe, na cozinha, ligava o liquidificador no máximo. Devia ser um daqueles shakes malucos, pensava Maria.
- Mãe! To aqui! É que eu não me sinto muito bem, estou no banheiro há horas!
E nada da mãe responder! O barulho do aparelho era muito alto.
Maria resolveu sair do banheiro, e a mãe foi logo aparecendo toda brava:
- Mas o que é isso menina? E esse rosto todo inchado?
- Ai mãe - camuflava-se, corando-se -, eu to gripada! Nem consegui sair da cama hoje!
- Como assim? Deixa eu ver isso direito menina - a mãe puxando-a pelo braço com a intenção de por a mão sobre a testa.
Febre, e parecia daquelas bem fortes. Maria achou estranho. Como assim febre, se nem sentindo alguma tontura ou dor ela estava?
- Mãe, e agora? - incentivava a mentira.
- Minha filha, vá até seu quarto que eu vou lhe fazer um chá.
Maria esperava em sua cama pelo chá. A mãe veio:
- Tome. A que horas devo servir uma porçãozinha de bolachas de água e sal para você, minha filha?
Bolacha de água e... sal? Que coisa de gente doente. Maria não queria nada disso! Ficar doente tinha perdido a graça:
- Mãezinha, não quero comer...
- Olha a injeção contra a gripe - mentia a mãe, intencionalmente.
- Não mãe, chega! EU confesso, acordei agora!
A mãe brigou com Maria, que ficou deitada na cama fingindo ler um livro. No outro dia, Maria acordou gripada.

Essência: uma questão de sobrevivência



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O que nos faz esquecer nossa própria essência senão o instinto de sobrevivência?
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Essa frase que montei hoje e imediatamente propus a umamigo para decifrá-la trata da questão da vida, dos valores e das amizades em geral. Nossa essência humana é, acima de tudo, egocêntrica, voltada para o indivíduo próprio e sua permanência na vida enquanto alma presente. Egocêntrica sim, porque somos obrigados a optar por valores que sabemos e até mesmo fingimos esquecê-los que nos remetem a atitudes e consequências feitas por nós mesmos.
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O instinto de nossa sobrevivência reluta no interior como se fosse a bandeira fincada emsolo inimigo. Sabemos que precisaremos sobreviver, ao que quer que venha por aí: catástrofes, contas bancárias, desastres naturais, atentados terroristas, sequestros relâmpagos e chuva de meteoros. Acabamos nos tornando tão suscetíveis a tais calamidades que, no decorrer das mesmas, nem sequer lembramos de perguntar se o outro está bem.
"Eu sei, mas na hora, infelizmente não tenho como ver se meu amigo tá legal sendo que eu posso ter tido quebrado a perna", disse meu amigo egocêntrico.
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Eu rebati a questão:
- Eu sei. É por isso que digo que seu instinto de sobrevivência fala mais alto. Só que ele é egoísta.
- Por que egoísta? Só por que eu to tentando me salvar e depois, se eu conseguir, ajudar aos outros? - indagou ele, indignado!
- Pois é justamente preocupando-se com o outro que você começa a mudar este teu pensamento mesquinho - rebati, parecendo ter posto um ponto finalno embate.
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Pense como se fosse uma corrente de pensamento. Se você se preocupa, um outro também se preocupará, e então você abrirá seus olhos e conseguirá enxergar outros 100 que já se preocupavamantes de você. Incrível, não?
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E aí eu retorno à questão da essência: qual seria realmente a essência humana no que diz respeito a sua ambição social? Seria o humano capaz de conviver plenamente em harmonia [= sem guerras, sem desavenças, sem justificativas para minorizar ou julgar outrem] com seus semelhantes? Basta ligar a Tv para ver que não.
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Agora, eu também não sou santo ou frei para me livrar dessa. Uma vez fizeram comigo o teste do naufrágeo. Respondi que, se ficasse 7 dias à deriva em um bote esperando pelo resgate, eu me daria de comida aos peixes. Peixe que é peixe morre pela boca!!! Não seria capaz de me martirizar ao ponto de ser lembrado futuramente pelos pedaços de minha própria carne, repito, meu corpo que foi mastigado pelos colegas que estavam junto comigo desacolhidos também. Um absurdo!
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E isso é egoísmo? Não. É apenas meu instinto de sobrevivência falando por mim. Antes minhas próprias idéias e meus singulares anseios do que virar comida pra humano comer. É crueldade demais.

The Day That I Die II

Só para continuar o pensamento postado abaixo, não sou nenhum sociopata que está planejando alguma coisa.
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Achei engraçado esses dias, enquanto eu tentava pregar um raio de um toldo de proteção nos ganchos fincados no solo. O vento era tão forte, mas tão forte, que lançava o próprio toldo contra mim, chegando até mesmo a me machucar.
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E, só por ironia, comentei no mesmo dia que eu não queria morrer de toldo.
causis mortis:
"toldo"

5.10.08

The Day That I Die

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Credo. Tive um sonho "obscuro" ontem. Sonhei que eu estava correndo de carro e que um veículo que vinha na contra-mão me fez rodopiar, até morrer.
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Em consulta ao dicionário de sonhos [eu sei, extremamente tosco e blablabla...], pude ver que um sonho como este significa A ou B. Em A, que estaria me preparando para minha própria morte. Já em B, um renascimento e libertação, ou seja, o oposto a morrer.
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Não que eu acredite nisso, mas muitos dos meus sonhos já foram premonições de fatos recentes. Sonhava com uma determinada situação três anos atrás e, de repente, lá estava eu vivendo-a de forma mais semelhante possível.
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Também não lhe peço que acredite no que estou dizendo. Porém, cá entre nós, e quando eu digo isso é porque estou quase falando baixinho, você nunca teve a sensação de que algo ruim lhe aconteceria em certo dia e, do nada [além.com.br], simplesmente acontece?
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Não! PelamordeDeus, não to dizendo que estou sentindo isso, mas, sei lá, sonhar com sua própria morte às vezes não lhe faz sentir-se bem. E eu realmente não consigo entender porque diabos fui acordar depois que eu morri! HEehe! Já pensou em ver o que acontece após o colapso fatal?!!!
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Enfim, sonhos e sonhos. Postei aqui só pra dizer que não morri por falta de aviso.