6.10.08

Essência: uma questão de sobrevivência



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O que nos faz esquecer nossa própria essência senão o instinto de sobrevivência?
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Essa frase que montei hoje e imediatamente propus a umamigo para decifrá-la trata da questão da vida, dos valores e das amizades em geral. Nossa essência humana é, acima de tudo, egocêntrica, voltada para o indivíduo próprio e sua permanência na vida enquanto alma presente. Egocêntrica sim, porque somos obrigados a optar por valores que sabemos e até mesmo fingimos esquecê-los que nos remetem a atitudes e consequências feitas por nós mesmos.
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O instinto de nossa sobrevivência reluta no interior como se fosse a bandeira fincada emsolo inimigo. Sabemos que precisaremos sobreviver, ao que quer que venha por aí: catástrofes, contas bancárias, desastres naturais, atentados terroristas, sequestros relâmpagos e chuva de meteoros. Acabamos nos tornando tão suscetíveis a tais calamidades que, no decorrer das mesmas, nem sequer lembramos de perguntar se o outro está bem.
"Eu sei, mas na hora, infelizmente não tenho como ver se meu amigo tá legal sendo que eu posso ter tido quebrado a perna", disse meu amigo egocêntrico.
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Eu rebati a questão:
- Eu sei. É por isso que digo que seu instinto de sobrevivência fala mais alto. Só que ele é egoísta.
- Por que egoísta? Só por que eu to tentando me salvar e depois, se eu conseguir, ajudar aos outros? - indagou ele, indignado!
- Pois é justamente preocupando-se com o outro que você começa a mudar este teu pensamento mesquinho - rebati, parecendo ter posto um ponto finalno embate.
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Pense como se fosse uma corrente de pensamento. Se você se preocupa, um outro também se preocupará, e então você abrirá seus olhos e conseguirá enxergar outros 100 que já se preocupavamantes de você. Incrível, não?
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E aí eu retorno à questão da essência: qual seria realmente a essência humana no que diz respeito a sua ambição social? Seria o humano capaz de conviver plenamente em harmonia [= sem guerras, sem desavenças, sem justificativas para minorizar ou julgar outrem] com seus semelhantes? Basta ligar a Tv para ver que não.
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Agora, eu também não sou santo ou frei para me livrar dessa. Uma vez fizeram comigo o teste do naufrágeo. Respondi que, se ficasse 7 dias à deriva em um bote esperando pelo resgate, eu me daria de comida aos peixes. Peixe que é peixe morre pela boca!!! Não seria capaz de me martirizar ao ponto de ser lembrado futuramente pelos pedaços de minha própria carne, repito, meu corpo que foi mastigado pelos colegas que estavam junto comigo desacolhidos também. Um absurdo!
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E isso é egoísmo? Não. É apenas meu instinto de sobrevivência falando por mim. Antes minhas próprias idéias e meus singulares anseios do que virar comida pra humano comer. É crueldade demais.