16.11.08

Nós, civilizados e modernos

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Nós, homens modernos, que nos preocupamos diariamente com a alta taxa de gorduras trans inserida em nossos hábitos alimentares contemporâneos, sabemos muito bem a principal diferença entre adquirir gorduras em grande escala e não aproveitá-las como forma de ganho de massa muscular trabalhada, em relação à adquirir as mesmas tais gorduras como consequência da alta ingestão de carboidratos em nossa dieta alimentar. Todos nós sabemos isso.
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Da mesma forma que sabemos também que a parte do rabo de qualquer peixe é, senão, aquela que possui o menor número de gorduras acumuladas. Talvez, conclui-se por lógica, devido à concentrada atividade celular que o animal exerce nesta parte do corpo, em especial devido a sua locomoção em seu habitat natural.
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Mas, cá entre nós, homens modernos e completamente civilizados, a preocupação que dispomos com as partículas de nanotecnologia presentes na linha de cremes faciais do O Boticário tem crescido de forma assustadora! Não por causa dos produtos, mas sim devido aos seus resultados visíveis logo no primeiro dia de aplicação! Incrível, não?
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E, por falar em toda essa linha de produtos de alta tecnologia, logo logo estamos vendo, homens modernos, que o nosso amigo iPhone irá dominar o gosto mundial por aparelhos da linha Music Player. É iPod pra lá, iPhone pra cá, iNet pra esquerda, i'Mthebest pra direita, e assim vamos.
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Agora, o que eu acho mais engraçado de me enquadrar neste grupo da modernidade, não se reduz a nenhuma das particularidades descritas acima, mas sim pelo simples gosto por perfumes. Esses dias comentei com um amigo, que não diria grande ainda, mas que vi ter um estilo reduzido a estas características- quieto e reservado, comportamento social relevante, ótima postura e simpatia, sabe um pouco de tudo e, claro, gosta de perfumes.
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Este meu amigo, que logo depois descobri ser professor de física, garantiu-me que compra toda semana lançamentos de perfumes em um freeshop argentino perto da divisa. Fiquei impressionado, pois não havia achado ainda alguém que gostasse tanto de perfumes e que pudesse me dar dicas de quais comprar, e até mesmo onde achar! Agora, homens modernos que se preocupam com o cheiro são a maioria. Não convém mais dizer que isso é frescurinha, coisa de baitola.
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Homens modernos moram sozinhos, possuem aparelhos de última geração, carros importados, iPhone - lógico, fazem compras no exterior, degustam bons vinhos, saem de vez em quando em busca da mulher dos sonhos, bebem uma vez por semana com os amigos para se esquecerem dos problemas, até mesmo frequentam o cinema sozinhos, na esperança de encontrarem por lá uma suposta mulher moderna que também o faça.
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Enfim, todo esse papo surgiu após a conversa sobre uma revista que gosto muito, a Men's Health, da qual compartilhei com ele a matéria sobre perfumes. E disso fomos até à Bolívia para depois terminarmos em vinho que tem cheiro de bosta de vaca (do curso do Denir, da Fazendinha).

10.11.08

Os caminhos que percorrem novembro


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Meu espaço oculto neste mês vai tentar se auto ressucitar. Não sei como, mas muitas vezes quando tenho vontade de postar algo aqui, nem que seja um simples Oi, muitas vezes não consigo. "Não me daria ao luxo de dizer isto em voz alta", haha.
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Eu e minhas viagens, alucinações, pensamentos alheios. Aliás, para escrever, nada melhor que uma música que me faça pensar - e não dormir! Gosto muito de ouvir The Album Leaf, acho que neste ano finalmente encontrei a banda pela qual eu sempre procurei. Gosto do som deles, é relaxante, faz você pensar em mil coisas quando está deitado em sua cama escutando as músicas calmas e os mais diversos sons instrumentais. É simplesmente fas-ci-nan-te.
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Falando em fascinação, agora em novembro acho que estou mais humano novamente. Após tamanha crise que enfrentei ao longo deste ano, coube a mim novamente colher os frutos de uma longa jornada dedicada especialmente ao meu trabalho. Hoje recolho os frutos que plantei com meu sorriso.
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E, por acrecentar um pouco de sorriso à minha vida, ganhei novos amigos. Fiz amizades, não diria que para a vida inteira, mas amigos que quero bem, que sinto confiança e sou até mesmo dependente deles. Quem diria que eu, algum dia, iria me apegar tanto a pessoas completamente diferentes de mim. E quem diria que eu não me apegaria?
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Acho engraçado dizer que já estou em novembro. Nunca fui de comemorar o ano que está se acabando, justamente porque pararia qualquer momento bom para vivenciá-lo durante a eternidade. Pararia mesmo!
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Já vou resumindo 2008 como o ano do início da vida adulta. "Here we go!". É este o ano da conclusão do curso de inglês, das músicas fascinantes do The Album Leaf, das viajens aos fins-de-semana para minha home town, das pessoas que conheci pouco, mas considero muito importantes para mim. É o ano do saquê (e de suas respectivas caipirinhas sabores ...), da saudade, do remorso, da própria tristeza que me pegou em quase total parte também, como ainda o ano da retomada de uma diversificada lista de sonhos da qual eu extraía forças para continuar lutando e sobrevivendo.
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Mas 2008 ainda não acabou! E, agora no finalzinho, promete ser o ano do amor :D Amor este que pretendo alimentar, que desejo ver crescer, prosperar, dar filhinhos [ops, esquece essa parte haha]. Enfim, um ano muito consciente, que me fez enxergar as coisas como elas realmente são, que me fez batalhar para poder seguir em frente, que me obrigou a lidar com gente chata, mesquinha e completamente sem noção, que me fez sentir orgulho e até mesmo humilhação.
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Gosto de acrescentar sempre uma última frase sábia que sai de minha cabeça ao longo do texto. Hoje, a que saiu foi "Faço as coisas como elas devem ser feitas. Desvio um pouco do caminho, mas o percorro em linhas tortas que me fazem aprender a viver melhor".
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