21.4.09

Imensidão nem sempre se reflete igual [não!]

Claro!
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O Brasil, traduzido aos olhos de estrangeiros, turistas vindos de outros países e até mesmo aqueles que veem para morar por aqui, resume-se literalmente a uma diferença imensurável entre suas classes sociais, padrões de vida e acessibilidade aos produtos oferecidos no mercado.
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Com base em sua co-relação entre aspectos históricos e determinantes da formação cultural-social-política brasileira, muitos destes estrangeiros, ao estudarem a história do País de acordo com o ponto de vista de autores brasileiros e se depararem com o montante de informações não relevantes e muitas vezes divergentes daquelas com as quais estão íntimos, concluem que não há outro modo mais justo de se salientar tal diferença entre padrões sociais se não a própria explicação com a qual acabaram de ser introduzidos.
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O problema está em afirmar, muitas vezes, que tal fator é único, exclusivo, ponderador. Este equívoco se justifica na incerteza e até desconhecimento de muitos outros fatores também relevantes, determinantes e causadores, direta ou indiretamente, de tal situação. Sua colocação histórica pode ter sido a base pela qual cominou sua senda durante tais anos, porém sua permanência em tais circusntâncias está mudada e, muitas vezes, ainda não conhecida e bem interpretada pelo mercado afora.
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O preconceito de hoje acontece muitas vezes ao contrário. É único visualizar nas ruas algo contraditório aos padrões pelos quais fomos educados, acostumados e alertados durante toda nossa vida. Talvez seja até mesmo um fato histórico curioso: o processo de globalização está conseguindo, aos poucos, globalizar até mesmo os marginalizados. Digo isto porque conheco a importância da mesma, como também sua relação direta e proporcional com exclusão social: não são todos, ou pelo menos não eram todos, que tinham acesso à tais mordomias, trazidas e introduzidas até nós por meios que nos são favoráveis.
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É atualidade vermos que tal processo de inclusão tecnológica por meio da globalização está acontecendo nos países suburbanos. Suas classes desfavorecidas e de pouca rentabilidade também estão inclusas no processo, interferindo e mudando aos poucos o conceito de que são exclusas de tudos e todos ao seu redor. Quiçá isto tudo ajude o País a seguir em frente, e não retroceder todo o caminho andado.
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Até mesmo aqueles mais ousados preferem as atualidades. De tempo em tempo, e muitas vezes com enorme agilidade, as inovações tecnológicas deixam de serem inovações apenas e passam a cumprir papel de objetos obsoletos para quem acompanha as modernidades. É o caso, por exemplo, do disc man, cujo atrativo principal era a mobilidade "musical" de se poder levá-lo onde quiser. Estas tecnologias móveis ganharam a confiança do consumidor, e seu gosto aumentou. Depois disso, veio a febre do mp3, cuja atratividade estava em agrupar músicas compactadas como arquivos para poder ouvi-las sem precisar trocar o cd.
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Considero o exemplo do mp3 um dos melhores. Hoje, as classes mais elitizadas dão preferência pelos mais caros, modernos, com o maior número de inovações e tudo mais, enquanto, para alguns menos favorecidos, o mp3 está na moda. E tudo isso não tem outra explicação senão uma forma preconceituosa de dividirmos aquilo que estamos habituados a conhecer: é engraçado ver alguém assim com um aparelho de mp3 na rua e os fones de ouvido encobertos pela camiseta. Todos sabem que o aparelho dele não é moderno, e muitas vezes ele pode estar escutando apenas uma rádio no celular, ou, nas últimas circunstâncias, seu velho e inseparável disc man.
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Existe sim o tal do preconceito ainda, porém para estudá-lo é preciso transpor aos padrões atuais, que vão muito além de meros fatores histórico-sociais mal intepretados por estrangeiros. Dizer simplesmente que o Brasil é imenso e que sua imensidão determina o tamanho da diferença monetária entre habitantes de uma mesma região ou não é quase redundante. Interessante mesmo é possibilitar ao estrangeiro o entendimento superior de que estes fatores mudaram, as pessoas em si estão inseridas, de uma forma ou outra, no mesmo mundo globalizado, mesmo que estejam apenas ouvindo músicas enquanto aguardam o ônibus no terminal.