12.12.10

Paradoxo

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Às vezes fico triste. Às vezes me alegro de mais. O dia que parece não ter fim, o dia que chegou e passou num piscar de olhos. De repente tudo fica claro, amanhece o dia. E a escuridão toma conta com seu céu estrelado, e tudo se resfria.
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De tudo o que mais tenho medo, acho que a verdade é a que mais assusta, em primeiro lugar. Às vezes é tão bom viver na fantasia, viajando pelo tempo, perdendo a noção da realidade. Voltar para o mundo real, botar os pés no chão? Isso está fora de alcance para quem não consegue mais diferenciar o que é ilusão e o que é fato.
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E tudo se torna um grande paradoxo. E é engraçado e triste dizer isso. É alucinante e bastante verdadeiro. Os dias em que mais me sinto feliz são, ao mesmo tempo, os que mais me sinto triste. Os dias em que mais me sinto normal são, ao mesmo tempo, os que mais me sinto louco.
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E daí surgem todas as outras contradições da vida. A distância que separa as pessoas que se gostam, o celular que permite que se falem todos os dias. A foto que mostra alguém lá do outro lado do planeta, o apertar do botão para o X.
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E eis que vêem os dias de paradoxos. Odeio paradoxos. Me deixam perplexo, complexo, sem saber como agir. Não sei se vai ou se fica, se pula ou agacha, se molha ou seca. Agora, para piorar tudo, misture esse montante de paradoxos com uma mente confusa e sem direcionamento? Adicione um pouco de insegurança, frustração e até mesmo isolamento? O que você ganha?
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Não sei com relação aos outros, mas não quero mais esses paradoxos para mim.