4.2.08

Quando o olho cega

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Sabe... De uns tempos pra cá, eu já não falo mais em corrupção. Tô por fora, literalmente, do âmbito em que se encontra meu País. Posso até dizer algo sobre a morte do butequeiro ali da esquina, mas ouso-me a tentar lembrar qual foi a última vez em que apertei o botão para ligar a televisão. Como será que a crise americana afetará o Brasil? Quais serão as medidas necessárias para equilibrar em meu orçamento a alta taxa de juros correspondente a este mês?
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Questões essas que me veem à mente o tempo todo. E tudo pelo único e simples fato de que agora, mais do que nunca, passei a entender um pouco mais como tudoisso[.com.br] funciona. É estranho relatar casos de dívidas em meu cotidiano, sempre procuei [tentei, camelei, me esforcei] pagar as contas em dia, nunca atrasando nenhuma delas. Hipocrisia minha afirmar que adoro faze isso, mas tata-se de um bem necessário. Entetanto, nas últimas semanas, convivi diariamente com um caso semelhante, no qual o sujeito gastava paticamente o triplo daquilo que lhe era concedido mensalmente. E pensei: vai morrer em dívidas.
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Pode até acontecer de ele nunca se importar tanto com as mesmas de forma parecida como a que eu me importo. Talvez ele nunca chegue a pensar que tais pendências existam. É a tal da felicidade momentânea: sou feliz com o que tenho e procuro algo a desejar. Se obtenho aquilo que quero, sou feliz e tenho sucesso. Caso contrário, deixo para meus netos aquilo que não pude pagar.
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Eu penso: viver sozinho vale mesmo a pena? Até que ponto vão meus medos e qual a distância máxima que consigo percorrer com isso? Trata-se daquilo que eu, costumeiramente, chamava de independência progressiva. Ainda tenho a quem recorrer se um dia desses me sentir tão infeliz. Porém, dia a dia, vou me libetando disso. Faço investimentos, aplico fundos em poupança, procuro não gastar muito. E o que me esta é lucro.
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Esses dias, quando voltei à California [hometown], senti-me deslocado, sem minhas raízes por perto. Pensei estar ficando louco, mas sentia um cheiro de parasita hospedado onde não está convidado. E quis voltar. É... A vida adulta chegou e não posso mais largar.