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Seis e meia da manhã, ou madrugada, dependendo do horário em que se vai dormir. O sol ainda se espreguiçando para tentar nascer e acordar aqueles que menos precisam que isso aconteça. Aos poucos surgem em freqüências de ondas pequenos pios por aí, que depois se multiplicam como um formigueiro e suas formigas quando querem se defender. Não há nada melhor do que um clima ameno, com temperatura agradável, ideal para se esconder um pouco mais sob o edredon. O travesseiro, com penas de ganso, marreco, galo, galinha ou sei lá o que, está tão quente quanto o resto do corpo. Algumas vezes ele pode ser encontrado entre as pernas, tão preso que só se solta se o pescoço começa a doer muito. O cheiro de café - sim, alguma alma sã já está de pé preparando-o - invade a casa toda. O despertador toca James Blunt e eu tenho de acordar.
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Parece meio confuso dizer que o cheiro invade meu quarto se ainda estou dormindo, não é? Tem a ver com aquela paradinha de que quando se acorda os cinco sentidos vão, compassadamente, sendo despertados também. Mas o que me aconteceu esses tempos pode provar que, para quem pensou que eu estava errado ao dizer que o cheiro invadia meu quarto e que eu poderia senti-lo mesmo estando adormecido, sim, pode provar que eu estava certo.
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Dormia tranquilamente como um anjo, paradoxo da vida real. Sentia-me um tanto quanto felicitado por ter acordado uma hora antes e ver que, necessariamente, eu estava com o sono "adiantado". É, isso acontece nas vezes em que já dormimos tudo o que tínhamos que dormir mas que, por uma questão de excesso de tempo, dormimos mais - o mundo moderno denominou essa perda de tempo como "preguiça".
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Dormia eu [como dizia um...] em minha cama, com meu travesseiro, sonhando sabe-se lá o que, quando senti em meu sonho [sim, eu posso me lembrar] um cheiro de café, o que me levou obrigatoriamente a compor no campo imaginário de minha mente uma mesa farta, completa, repleta daquelas coisas que se come em um café da manhã. Fiquei horrorizado quando levantei e me deparei com a mesa quase igua àquela que eu vira antes.
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Logo eu, que acordava às vezes e a mesa já estava arrumada para o almoço. Justo eu. Caracas, fazia tanto tempo que eu não acordava para o café da manhã. Já hava me esquecido o quão bom isso é.
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