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Às vezes me pergunto o que seria de todos nós se não houvesse empatia. Empatia entre os humanos, entre ascoisas, promovendo o melhor que há na conduta de uma harmoniosa relação completamente desigual. O desigual nos atrai, o diferente nos chama a atenção. Não é à toa que, numa chuva cercada de guardas-chuvas pretos pelas ruas, o mais coloridinho se destaca.
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Foi-se a época em que costumávamos não nos importar com tamanhas desigualdades. Talvez pela própria inocência, ou ainda pela simples ingenuidade de não saber diferenciar. Onde foi que aprendemos a ser esse medidor de qualidade? Separatista, discriminatório. Diferenciador.
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Salvo-me esses dias. Consegui diferenciar o quão mórbida, fria e cruel pode ser uma sociedade assim, apática. Julgamentos pelas costas, coisas absurdas. Não me excluo, pois sei que coo-participo, e, muito menos do que se espera, diferencio também.
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Perguntaram-me esses dias se valeria à pena um pouco de mocca no latte. Disse que não entendi a piada, se quer aquilo fosse algo para rir; já não é engraçado caçoar dos outros, rir de lgo que não faz parte de nosso cotidiano. Aprendi muito com isso. Agora devemos todos, inclusive eu, saber compreender que todas as diferenças são o que geram uma sociedade empática, ciente de suas necessidades e, na medida do cabível, disposta a ajudar os outros.
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Lembro-me ainda, no passado, dos papos sobre implantes, reduções, aumentos, ganhos e perdas, dentre outras futilidades que viraram moda atualmente. Me faz repugnar tudo quanto é assunto escroto, sem um futuro muito semblante e algo que nos faça recordar.
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É como diria um velho amigo: nada como um dia após. Outro dia após.