21.5.07

Pele de peixe pode ajudar moda local

(fotomontagem de Willian Yudi)
Além de serem produtos diferenciados, artigos com couro de peixe constituem um mercado pouco explorado na região
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Não é história de pescador dizer que do peixe pode se aproveitar muito mais do que apenas a carne. Artigos produzidos com couro de peixe são uma forma de moda bastante inovadora. Porém, segundo Maria Luiza Rodrigues de Souza, professora do departamento de zootecnia da UEM (Universidade Estadual de Maringá) e coordenadora do projeto “Aproveitamento de Peles de Peixes”, esse ramo ainda é pouco explorado no Brasil, o que constitui boa oportunidade para ajudar a desenvolver a indústria de moda em Maringá.
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A professora, que trabalha com a idéia desde 1993 e que, em 2003, conseguiu apoio da Seap (Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca) para desenvolver o projeto, argumenta que as peles e escamas podem ser utilizadas como recurso de agregação de valor ao peixe. “Através do processo de curtimento e confecção da pele de peixe, pode-se fazer artesanatos em geral, brincos, pingentes para colar, enfeites para a roupa, jaquetas, blazers, saias, calças, coletes, detalhes em camisas e em jeans, sapatos, bolsas e cintos.” Maria Luiza afirma que é possível desenvolver técnicas diferentes e sofisticadas com a intenção de atender à indústria de moda da região.
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Para a estudante Karla Fabrícia, aluna do quinto ano de engenharia de produção com ênfase em confecção industrial e que participa do projeto com a professora Maria Luiza, o couro de peixe tem aspecto bastante exótico, o que aumenta seu diferencial e o torna difícil de ser imitado. “A indústria de moda gosta de produtos diferentes. Nós podemos fazer muitas coisas com as peles de peixe”, diz a estudante.
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Segundo Maria Luiza Souza, o valor dos produtos com pele de peixe varia de acordo com a empresa fabricante. “Um sapato pode custar de R$ 200 a R$ 300. Porém, o valor para a confecção fica em torno de R$ 70 a R$ 100. A variação de preço ocorre em função da marca, o que pode ajudar a desenvolver a indústria de moda local, pois são as empresas de pequeno porte que cobram o valor aproximado com o da produção”, argumenta.
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Além disso, a professora chama a atenção para o custo alto da mão-de-obra envolvida no processo de produção dos artigos. “Esse alto custo, em comparação ao couro bovino, existe devido ao grande trabalho artesanal, onde deve-se manipular cuidadosamente pele a pele.” Exemplo disso foi uma empresa em Maringá, que decidiu, no final de 2005, investir na produção de biquínis e chinelos com couro de peixe. Segundo a auxiliar administrativa Sandra Maria Leal, esse grande trabalho artesanal envolvendo muita mão-de-obra atrapalhou a aceitação dos produtos no mercado, o que fez a produção ser interrompida. “Entretanto, quem conheceu os produtos gostou, pois são artigos diferentes e de boa qualidade. Além disso, as pessoas cuidaram e garantiram a durabilidade”, afirma ela.