11.10.07

Pensamentos de uma quinta-feira de outubro

Eu não sei de nada além do que já sei. Cartas utópicas já não me seduzem mais. Pensamentos corrosivos não me conquistam como antes. Seu olhar agora parece brutal. Olho para o espelho na esperança de te ver, mas o que encontro, Narciso, é nada mais do que minha feia aparecia natural. Pobre de mim, vigiado pelas estrelas, andando sob o luar. Não há quase nada que me chama a atenção nessa noite quente de primavera.
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E pensar que quando te conheci nem sequer sabia da sua beleza. Nem muito menos imaginava tanta preciosidade. Eu, que coleciono pérolas achadas na areia num dia de manhã, pensei em guardar você perto de mim. Mas que bobagem a minha. Nenhuma coleção se faz quando se tem a mais bela de todas, quando se acha uma de maior destaque entre as outras. Hoje à noite vamos tentar fazer diferente.
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Quando digo que escolhi a mais bela jóia, pareço muito iludido. Ilusão imaginar que isso acabaria bem. Não consigo parar de pensar em quanto tempo joguei fora, quantas atitudes minhas, bravas, guerreiras e até inusitadas para meu estilo, quanto tempo...
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Hoje à noite eu irei dançar sozinho. Deixe-me dançar sozinho no salão.