Bom, hoje vou dizer que irei me prolongar neste discurso um pouco besta mas realista. Não quero representar aqui falsos interesses e perspectivas, mas minhas reais conclusões a respeito de certas etapas de nossas vidas que mudam muito o nosso caráter e acabam nos transformando em seres, algumas vezes pérfidos, em outros momentos humanos. Como reagir? O que fazer? Se cair, como se levantar e prosseguir?
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É, são etapas de nossas vidas que precisam ser vencidas. O primeiro passo é compreender a mensagem, não deixá-la solta pelo ar. É preciso entender que viver não se passa apenas em um canal, mas em vários outros. E como não deixar de lado certas decisões, atitudes, opiniões? Como, por exemplo, ter de optar entre gastar pouco e ser feliz ou gastar muito para não ter mais nada? E como não sofrer?
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Talvez tenha sido um momento bastante difícil para uma família vivenciar a dor de uma perda que um membro faz. Talvez essas palavras me tornem hipócrita, mas sinto isso como se já tivesse vivenciado. É quase a mesma dor de perder alguém que se ama, que se gosta, que se cuida e tem valor, alguém que o faz se sentir especial. E como superar tudo isso? Não é só jogar nas costas o que está acontecendo e tocar para frente?
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Um dia pensei e vi que nunca acharei respostas para as perguntas acima. Momentos passionais como este me fazem repensar a respeito de certos caminhos em minha vida que venho seguindo desde quando eu era criança e que hoje me fazem ser muito “durão”. Não concordo. Certas atitudes minhas me acompanham sim há muito tempo, mas são elas que me fazem ser do jeito que sou e me tornaram quem sou. Não importa há quanto tempo faço algo. Se sinto que é hora de mudar, mudo. E não me confunda o significado da palavra mudar com o significado de evoluir.
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Bem, em nossas vidas muitos são os planos traçados e muitos os tombos levados. Durante um bom tempo você acaba aprendendo literalmente apanhando. Seja por ter feito algo errado, por ter pensado de forma diferente ou não ter escutado o outro. Se é algo que aprendi ao longo dos anos é que tudo é uma questão de práxis. Daqui a 10, 20 anos quem sabe, terei evoluído ao ponto de dizer para meus filhos que sim, fui um cara que deixou de lado muitos amigos, falsos-amigos, enfim, pessoas que já viveram ao meu lado. Mas saberei dizer para eles o que foi que aprendi de lição: importem-se apenas com aqueles que vos amam. E deixais o resto de lado.
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Quem sabe essa não tenha sido a maneira mais dura de eu entender quantas pessoas com falsos interesses vieram atrás de mim me pedir ou suplicar alguma coisa. O que fazer, como proceder? Algo que ainda não aprendi é a negação. Eu não consigo e não sou capaz de negar ajuda a uma pessoa que sei que tem mais dificuldades que eu e que depende de mim. Se meu pensamento fosse egoísta e capcioso ao ponto de eu querer me gabar, não estaria hoje rodeado de cinco ou seis amigos que sei que posso confiar.
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É como levar um grande tombo numa passarela, na frente de milhares de pessoas. É só não se importar. Levante-se, tente outra vez. Não vamos nos desesperar! Nos dias mais difíceis de sua vida, pense em coisas boas, em como seria bom se [...] e como isso ajudaria você a superar sua situação atual. Faça planos, não tenha medo de sonhar. Eu ainda tenho vários planos que não fui capaz de concluir até os dias atuais, mas também já realizei uma porção deles e hoje me considero satisfeito por causa disso.
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Ok, não acredita né? O mais recente de todos foi o documento que considero ter sido o mais difícil de todos para se obter em toda minha vida: a carteira de motorista. Foram dias de angústia, sonhos com balizas, ódios mortais de examinadores, enfim, toda uma corrente negativa e uma carga depressiva que me fazia crer que só em 2050 eu tiraria este bendito documento. Meu primeiro passo foi pegar o carro um dia escondido. Dei umas boas treinadas e fiquei fazendo manobras nas ruas aqui perto de casa. Meu segundo foi crer que eu teria aquele documento em mãos e que o mesmo só me traria boas recordações. Às vezes até chego a acreditar que, por intervenção divina, não me foi dado antes por precaução, premonição. Acreditando que eu obteria o documento em meu terceiro teste prático, formei uma corrente mas tão positiva, mas tão positiva, que somente esta me deixou extremamente calmo no dia do exame. E daí eu passei
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Caraca, como se levantar de um tombo? Esta deve ser a pergunta que está circundando sua mente. Trata-se de algo bem simples, na verdade, um grande gesto: dê risada. Ria para não chorar, sorria para não sofrer. Esse é o melhor caminho. Confie
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Muitas pessoas indicam caminhos alternativos: terapia, remédios, animais, plantas, trabalho voluntário, ocupações excessivas, músicas, comidas, sexo, livros, compras e até viagens
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Chego até a indicar para quem procura minha ajuda uma vida diferente. Teve uma época em minha vida em que uma amiga minha chegou para mim e disse que estava passando tão mal por causa do casamento de seus pais, desestruturado, mas tão mal que parecia que ela ia fugir. Eu propus a ela uma pequena ajuda, pois os recursos para eu ajudá-la naquela época não eram os mesmos que os de hoje. Propus a semana da diversão.
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Segunda-feira fomos tomar café num hotel da cidade antes de ir para a aula. Terça foi a vez de irmos ao clube e passar o dia por lá. Quarta jogamos vídeo-game até não podermos mais. Quinta estudamos para uma prova. Sexta saímos para jogar boliche e ir ao cinema. Sábado fomos à igreja dela e depois jogamos tabuleiro com alguns amigos dela. E no domingo ela ficou de me escrever tudo o que ela havia achado. Eis o que ela me escreveu, numa carta que guardo até hoje.
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“Yudi, não posso conter minha emoção e alegria de estar ao seu lado. Você torna as pessoas mais felizes, você tem um poder especial que Deus lhe concedeu. Sempre use seu poder para mudar a tudo e a todos, pois acho que isso você consegue fazer muito bem. Não vou negar que ainda sinto uma pontinha de tristeza... quando vejo que não sua capaz de mudar o que meus pais querem. Mas mesmo assim fico muito agradecida por toda sua ajuda. Você é especial!”
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Bom, basta repetir que mudar nossa maneira de pensar e passar a sorrir é o melhor remédio.