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Cá entre nós, essa história de popularidade é pura bosta!
Medi-la, então, é pior ainda!
Para mim não existe popularidade maior do que aquela que é implantada em sua cabeça.
Para quem consegue entender a frase, esse é o recado!
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Pois bem, diga-se de passagem que muitas pessoas estão preocupadas com a tal da pop. E passam a querer medi-la na medida em que se sentem mais sozinhas e inutilizadas.
Perguntam-se, com frequência, quantas pessoas poderiam estar com seus nomes na agenda, passam a contar quantas visitam recebem em média por mês, passam a frequentar organizações, igrejas e associações, guardam quaisquer lembranças de amigos, parentes e conhecidos em datas especiais, enfim, fazem de tudo para continuarem a ficar com a maldita popularidade na cabeça.
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Digo isso porque esses dias visitei a casa de meu amigo e vi como é que a tal popularidade ocorre. A mãe dele, vaidosa, com seus lá 40 anos ou pouco mais, tinha dois celulares e o telefone de sua casa não parava de tocar, além é claro de ela estar conectada ao msn também. E assim ela media sua poplaridade virtual, num círculo grotesco de contagem de recados, lembranças, mensagens de e-mail, cartões, mensagens de celular e convites para a "balada". Eu fiquei pensando e observando. Não sabia o que dizer em frente a algo tão diferente e desnaturalizado.
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Digo desnaturalizado porque sim, a natureza do homem é de um ser social, o qual não pode viver como um monge isolado de sua sociedade. Se ele nasceu em uma civilização, é crucial que se acostume a viver sem a mesma. Todavia, nem toda sua vida deve ser de natureza sociável. Viver 100% sociável é a mesma coisa que você não viver sua vida. Entendem?
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E eu acho extremamente ridículo o que as pessoas fazem para conseguir status e popularidade. Esses dias vi um cara chorar em público devido à morte de uma pessoa que não lhe era muito próxima. Mas ele chorou. Fiquei pensando: quantos pontos de popularidade [cara sensível, se importa com a morte dos outros] ele pode ganhar fazendo aquilo? Se essa popularidade existisse mesmo na realidade, ele estaria ganhando pontos negativos, porque isso deve ser considerado ato de apelação.
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Sabe o que um amigo meu me ensinou um dia, ainda numa época em que eu me importava com essa merda de popularidade? Que minha vida sou eu quem faço, e não se pode depender de outras pessoas para isso. Eu lhe disse "ninguém me liga para sair há mais de uma semana!". E ele me respondeu: não fique esperando alguém te ligar. Quantas pessoas estão aí como você, esperando por um telefonema? Vai lá e liga você! Aí é que eu fui me tocar que ele estava certo. E, desde então, tenho construído um círculo de amizades pelas quais me importo não porque elas lembram de mim ou não, mas sim porque consigo lembrar delas.
