13.10.07

Pensamentos de uma sexta-feira de outubro

Saio de casa e o céu muda de cor. É tempo de fechar as janelas, tirar as coisas que estão fora da casa e colocá-las para dentro, e claro, fechar as portas também! Vem o vendaval, cai o aguaceiro. E isso porque fui dormir num dos dias mais quentes da história, acordando em um que, com o sol pela manhã, eu cogitava planos de ir ao clube.
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Percebi que ao meu lado meus vizinhos não estão mais. Foram viajar. Então pego o rádio, já que está o maior barulho por causa da chuva, e começo a cantar. Passam-se cinco músicas e enjôo. Desligo o som, pego um pedaço de melancia. Vou lá fora, a chuva deu uma trégua e eu quero calcular seus estragos em meu jardim. Aliás, meu não. Jardim de minha mãe, cujas plantas agradecem dias assim.
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Que dia chato! A chuva tinha que vir sim, mas não podia estragar a minha sexta. Pego o carro, saio para ir trabalhar. Quando chego lá, descubro que não sou necessário naquele dia. Volto então, devagarzinho, pois a rua está cheia de árvores [sim, as árvores ficam na calçada, então a rua não seria o lugar delas]. Desvio de uma, desvio de outra. Vou seguindo.
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Passo em frente à casa dela. Mal sabia eu que uma amiga minha repetiria esse mesmo gesto que eu logo mais à noite. Fico observando, tentando ver se ela está em casa. Ouço Damien Jurado cantando uma frase "does your husband know I call you sweet?". Vou seguindo. É, hoje me parece que ela tirou o dia para ir rezar. Que linda minha menina. Tão meiga e já sabe o que quer. Tão atraente e parece que me ama. Mando uma mensagem, ela responde. Descubro então que ela se foi, para outra cidade. Mas volta na segunda. Até lá tenho de conter a saudade.
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Combino com uma amiga de ir jogar sinuca. Mas dessa vez, para variar o ambiente, fomos para uma outra casa de jogos. Saímos de lá, eu já um pouco nervoso por causa de pequenos atritos, e fomos a um outro barzinho. É, tiramos a noite para dar tudo errado mais uma vez. Mesmo assim, eu ainda estava feliz.
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Chego em casa. Não há mais chuva. O céu ainda escuro e eu fazendo planos de ir comer pastel. Mando outra mensagem para ela. Vou à feira. Não há barraca de pastel. Volto seguindo devagarzinho, desviando de animais, galhos e árvores. Que dia mais confuso! Mas quanta falta ela me faz. Quando voltar, serei o primeiro a ir dar-lhe os parabéns, tentar matar a saudade. Aproveitar, quiçá, o pouco tempo que pode nos restar. É o tempo de eu ir dormir e ver que meu dia se completou.