Sem tirar entretenimento, arquidiocese pretende formar jovens religiosos com comprometimento social e catequético
A Arquidiocese de Maringá completou 50 anos de sua criação. Com o objetivo de ser presença ativa entre os jovens e torná-los responsáveis pela construção da igreja, a arquidiocese planeja os próximos anos de trabalho. Para isso, está adquirindo tecnologias e mídias, como a internet, além da realização de novos eventos, para obter resultado maior e imediato.
Nas décadas de 1970 e 1980 a participação dos jovens na Igreja Católica dava-se por meio das pastorais da juventude e comunidades eclesiais de base, de onde surgiam lideranças políticas. Os interesses nos meios sociais eram maiores, porém, o lado espiritual deixava a desejar. Padre Israel Zago, pároco na cidade há 19 anos, afirma que esses interesses mudaram, dando lugar ao prazer pela diversão sem cultura. “Os jovens precisam sentir adrenalina para gostarem das atividades, levam ao ‘pé da letra’ a palavra movimento”, declara.
Eventos como o Hallel, festa cristã promovida pelo Projeto Mais Vida, que no último ano reuniu cerca de 140 mil pessoas nos seus dois dias de duração, cresceu e hoje tornou-se ponto de motivação para muitos. Seu principal atrativo, os shows, agem como instrumentos de conversão e sensibilização, tirando os jovens da inércia e até de alguns vícios.
Apesar do resgate promovido por esses “encontrões”, como são chamados, a necessidade do engajamento político, social e catequético que existia antigamente, volta a ser uma preocupação. Segundo monsenhor Antonio de Pádua Almeida, porta-voz do Arcebispo Dom Anuar Battisti, a juventude deve participar na vida de espiritualidade, louvor, tentando adquirir uma cultura religiosa adequada para sanar seus problemas. “Não devem rezar sem saber nada, o interessante é a existência de uma dimensão de comprometimento social no espaço onde eles estiverem presentes, que testemunhem sua fé resultando numa atuação transformante da sociedade.”
Sobre os meios de comunicação, em especial a internet, monsenhor Almeida assume ser ainda um ponto fraco para a igreja, porém, novos sites e a reformulação dos já existentes estão sendo feitos. A intenção é chegar principalmente aos universitários, levando informações e conteúdos que os interessem, ajudando-os nesse momento de busca profissional e adesão da consciência moral e ética.